quarta-feira, 9 de março de 2011

Romeo Montague

Natural de:
Verona, Itália.
Pense em Romeu e você lembra de Julieta. O cara é campeão absoluto por causa do amor único: “Quantas vezes eu errei? Eu não estava apaixonado pela outra, mas sim pelo meu próprio amor. Não era nada além de afetação. Só quando vi Julieta deixei escapar: Será que já amei?” Como um Montague, Romeu foi criado para odiar cada membro da família Capuletto. E Julieta é uma Capuletto. Para amá-la, vai ter que se voltar contra a ordem dos garotos brigões e se tornar um homem. Na peça de William Shakespeare, para ele é melhor a morte do que a ausência da amada. Claro que estamos falando de outra época, outra mentalidade, outra organização social. Mas o espírito é o mesmo: “Melhor que conquistar uma mulher por dia é conquistar uma única mulher todos os dias”. Romeu descobre a mulher ideal e decide permanecer com ela. O mundo não faz sentido se a amada não fizer parte dele.

O que ensina Romeo?
Conquistar muitas mulheres é um ato socialmente premiado com aplausos e admiração. Conhecemos a invejada figura do “pegador”. Conquistar uma só é muito mais difícil de se justificar. Costuma-se dizer que o homem apaixonado por uma única mulher é “bobo”. E pode ser mesmo, se estiver com a mulher errada. Ou se acha que ter a mulher errada é melhor que estar sozinho. Pode ser que você nunca encontre a sua, mas quem descobre de verdade a mulher de sua vida tem algo precioso nas mãos. Fazer sacrifícios por ela parecerá estúpido numa mesa de bar entre amigos. Mas a justificativa para isso está no coração de cada um. “Se você a encontrou”, diz Romeo, “entregue-se a ela sinceramente. Fique com ela, tanto faz o que surgir. Não se importe com o que os outros digam. Somente você pode sentir a verdadeira paixão aquele amar de verdade”. Como saber que você encontrou a sua Julieta? A resposta é extremamente pessoal. Mas, se você tem certeza de que é “ela”, mergulhe de cabeça. Como Romeo. O mundo hoje é muito maior do que a Verona medieval. Você vai ter mais chances de comparar sua amada com outras mulheres no seu caminho. E aí a certeza do seu amor poderá, quem sabe, crescer ainda mais.

Don Juan

Natural de:
Sevilha, Espanha.
A lenda Don Juan começou com uma peça espanhola de 1630 chamada  El Burlador de Sevilla y Convidado de Piedra. Foi um personagem tão marcante que sua história nunca mais deixou de ser contada e recontada. Molière escreveu uma peça com seu nome em 1655. Don Giovanni (de Wolfgang Mozart, com libreto de Lorenzo La Ponte), uma das mais famosas óperas de todos os tempos, estreou em 1787. Lord Byron lhe dedicou um poema épico em 1821. Escritores como Hoffman, Pushkin, Kierkegaard, Bernard Shaw, dumas, Baudelaire e Camus também se fascinaram pela lenda.
Don Juan é o conquistador no sentido sexual do termo. Predador, seu objetivo é ganhar mulheres em quantidade. E sem escrúpulo. Promete casamentos, joias, riquezas, o que for necessário. Quando consegue o que quer, não cumpre nada do que prometeu. Nem mesmo se constrange em ganhar mulheres de amigos. Para ele, vale tudo.
A sua falta de princípio ofendeu principalmente os princípios católicos da época. Segundo a lenda, Don Juan, filho de um casal bem resolvido, virou um homem sem nenhum princípio e um só objetivo. O fim dele acontece quando descobre a estátua do pai de uma das garotas que ele desvirtuou sem pensar nas consequências. A estátua ganha vida e leva o conquistador para o inferno.

O que ensina Don Juan?
É possível aprender com um sujeito sem qualquer caráter? Sim, se você souber adaptar. Hormônios em ebulição nos fazem tentar de tudo para levar uma mulher para a cama. Don Juan nos faz focar no que interessa: a mulher em si:
“O mais importante é nunca perder de vista o alvo. Não falar com rodeios. Não se amedrontar, levantar todos os registros. Para elogiar e para acariciar. Contar a ela tudo o que ela quer ouvir, até que ela se torne suave.” Don Juan sabia como ninguém que uma mulher gosta de ser conquistada. Você deve ser então como um galinha inescrupuloso como foi o conquistador de Sevilha? Querer “todas as mulheres do mundo” é uma receita para um provável desastre emocional. Você provavelmente terminará sem nenhuma.
Mas mantenha ligado seu “Don Juan interior”. Tente treinar com cada mulher que cruza seu caminho quais os possíveis truques para conquista-la. Tente imaginar o que você faria para levar aquela mulher para a cama. O que diria? O que ofereceria a ela? Se tivesse a chance de dizer uma única frase, qual seria? Treinar para todas as mulheres – como Don Juan – vai te fazer um cara mais capacitado a paquerar numa festa. Ou a ganhar uma única. Afinal, o predador de corações gostaria que todas as mulheres no mundo tivessem uma única boca rosada para que ele pudesse beijá-las de uma só vez, de norte a sul.

Cyrano de Bergerac

Natural de:
Paris, França.
Pouca gente sabe, mas existiu um Cyrano de Bergerac real, soldado e escritor (1619-1655). Pelo seu retrato, ficamos sabendo que ele era realmente narigudo, mas nem tanto quanto a ficção descreve. O Cyrano fictício que ganhou o mundo foi descrito numa peça de Edmond Rostand em 1897, que se tornou mundialmente conhecida e ganhou várias versões para o cinema. Uma delas (Roxanne, de 1987), com Steve Martin.
Na peça original de Rostand, Cyrano é um homem corajoso que não leva desaforo pra casa. Ele pode enfrentar a armada espanhola, em guerra com a França. Mas – por causa do nariz – não consegue declarar seu amor à bela Roxanne. Seu amigo bonitão Christian lhe confessa que está apaixonado pela mesma mulher. Desacreditado de si mesmo, Cyrano escreve poesias em nome do amigo. Roxanne se apaixona pelos poemas – e não especificamente por Christian (que aliás não prima pela inteligência).
No trágico final da peça, Cyrano é gravemente ferido numa batalha, Roxanne descobre que é ele o autor das poesias. Mas não há mais tempo para nada e o poeta narigudo morre com a cabeça no colo da amada.

O que ensina Cyriano?
Num de seus momentos mais memoráveis, a peça de Edmond Rostand mostra o herói entrando numa taberna lotada. Alguém faz uma piada sobre o nariz dele. Todos pensam que Cyrano vai desafiar o engraçadinho a um duelo. Mas ele responde com uma enxurrada de piadas infinitamente melhores sobre seu próprio nariz.
Cyrano não tinha o menos problema com a aparência. Demonstrava até certo orgulho, até porque narizes têm clara conotação fálica. Mas, frente a Roxanne, ele se sentia uma vergonha tão profunda que preferiu ajudar o amigo a conquistá-la. É um caso extremo de falta de autoestima. Em seus últimos momentos, Cyrano recebe sua maior lição. Ele pergunta se Roxanne amaria da mesma forma quem escreveu os poemas que o galã Christian recitou para ela se o autor fosse “feio, desfigurado, grotesco”. Roxanne responde: “Amaria ainda mais”.
Cyrano aprendeu tarde demais que seu talento conquistou a amada. Mesmo com o nariz descomunal poderia ter sido feliz porque era um homem carismático. Com a beleza de seus versos, ele ganhou o coração de Roxanne e o entregou numa bandeja ao amigo.
Você não pode ser o cara mais bonito do planeta. Mas deve ser bom em alguma coisa. Seja um escritor, esportista, um cientista dedicado, um homem apaixonado por uma causa. Apresente-se da melhor maneira que puder, confie no seu taco. Talvez você, mais que uma mulher, ganhe uma legião de fãs.

Giacomo Casanova

Natural de:

Verona, Itália.
Casanova (1725-1798) foi um homem da Renascença. Filho de artistas, culto e ambicioso. Passou muitos nos preso por pequenos escândalos e golpes mal calculados. Teve que se isolar como bibliotecário de um conde nos anos de tédio escreveu a obra imortal: as próprias memórias.
A época em que viveu foi de relativa liberdade de costumes. A aristocracia europeia fazia casamentos por conveniência. E um não nobre como Casanova aproveitava o fato de não ser tão escandaloso uma duquesa ou condessa ter um amante. E pulou de cama em cama, conquistando mulheres às centenas.
Diferentemente de Don Juan, com seu apetite animal por sexo, Casanova curtia a arte da conquista. O grande amante admirava a inteligência da mulher, a capacidade de conversar sobre diversos assuntos. Sua prioridade eram os prazeres sexuais, mas eles passavam por um refinamento intelectual que os complementava.

O que ensina Casanova?
Casanova fazia da sedução uma arte de sutilezas. Um jantar cheio de prazeres sensoriais tinha para ele muito mais valor que uma cantada direta. “Um bom gole provocará nela, que não está habituada, uma alegria declarada da abstinência.” A arte de falar era fundamental: “Sem a palavra, o prazer do amor é diminuído pelo menos dois terços”, dizia ele. E essas palavras deveriam apenas sugerir um avanço amoroso, sem deixar nada explícito.
Mais maduro que Don Juan, Casanova não enganava as mulheres que conquistava. “Consentimento mútuo é importante”, declarou. Escolhia mulheres com problemas de insegurança e as completava com palavras bem escolhidas. Nada de forçar a barra ou perder o controle dos instintos. Seduzir para ele era como jogar xadrez. Até o xeque-mate.